Calculadora de markup: do custo ao preço de venda
Informe os impostos, as despesas e a margem que saem de cada venda. A calculadora devolve o markup divisor e o multiplicador da sua operação — o índice que precifica todo produto que passe pelas mesmas condições, qualquer que seja o custo dele.
Sem cadastro, sem e-mail e sem limite de uso. A conta acontece dentro do seu navegador, e o link do resultado leva os seus números para quem você quiser mostrar.
Calcule o markup da sua operação
Preencha os quatro percentuais que saem de cada venda. O índice aparece na hora, sem cadastro, e o link abaixo leva esta mesma conta para quem você quiser.
Markup multiplicador
1,7241
Multiplique o custo de compra por este índice para chegar ao preço de venda. Ele já carrega os 42% que saem do preço antes de o custo ser pago.
- Markup divisor
- 0,58
É a fatia do preço que sobra para pagar o custo depois de 42% de impostos, despesas e margem. O preço é o custo dividido por ele.
Link desta conta
O link abre a calculadora com estes mesmos números. Nada do que você digita sai do seu navegador.
Como o markup é calculado
Duas divisões, e a segunda é o inverso da primeira. O que dá trabalho não é a conta: é descobrir com honestidade o que entra em cada percentual.
Impostos, despesas variáveis, despesas fixas e margem são fatias do preço de venda. Some as quatro e você sabe quanto do preço já está comprometido antes de o produto ser pago. O que sobra é o markup divisor:
markup divisor = (100 − impostos − despesas variáveis − despesas fixas − margem) ÷ 100
markup multiplicador = 1 ÷ markup divisor
preço de venda = custo ÷ markup divisor
Com 8% de impostos, 4% de despesas variáveis, 18% de despesas fixas rateadas e 12% de margem, a soma é 42%. Sobra 58% do preço para pagar o custo, então o markup divisor é 0,58 e o multiplicador é 1,7241. Um produto que custou R$ 100,00 é vendido por R$ 172,41.
Os dois índices dizem a mesma coisa de trás para frente, e é por isso que confundi-los é tão fácil. O divisor é sempre menor que 1 e o custo é dividido por ele; o multiplicador é sempre maior que 1 e o custo é multiplicado por ele. Quem multiplica o custo pelo divisor chega a um preço abaixo do próprio custo, e o engano fica visível na hora. Quem divide o custo pelo multiplicador chega quase ao mesmo lugar, e esse passa despercebido por um catálogo inteiro.
Repare que o índice não menciona o produto em lugar nenhum. Ele descreve a operação — o regime tributário, a forma de receber, o peso da estrutura e a ambição de lucro —, e por isso o mesmo índice precifica tudo o que passa pelas mesmas condições. O custo entra só na última linha, quando você quer o preço de um item específico.
Onde encontrar cada percentual
O índice é tão bom quanto as quatro entradas. Três delas se apuram em documentos que a empresa já tem; a quarta é uma decisão.
Impostos: do regime, não da nota de compra
O que entra aqui é o que incide sobre a venda. No Simples Nacional, é a alíquota efetiva da faixa de faturamento — a que sai do PGDAS, e não a da tabela nominal. No lucro presumido ou real, é a soma de ICMS, PIS e Cofins sobre a saída, já descontado o crédito quando houver. O imposto pago na compra não entra aqui: ele já está dentro do custo.
Despesas variáveis: o que só nasce com a venda
Comissão de vendedor, taxa da maquininha por bandeira, comissão de marketplace, frete de entrega ao cliente e a provisão de troca. Quem vende no cartão e no pix tem dois percentuais diferentes, e usar a média do mês é aceitável para uma primeira conta — é também o que faz o preço do parcelado em dez vezes sair curto.
Despesas fixas: o rateio que se mede, não o que se estima
Some as despesas fixas de um mês — aluguel, folha, energia, contador, sistemas — e divida pelo faturamento do mesmo mês. O resultado é o percentual do rateio. Estimar "uns vinte por cento" é o erro mais caro desta calculadora: cada ponto percentual a menos aqui derruba o preço em quase dois por cento, e some direto do lucro.
Margem: o lucro que sobra, e não o que se acrescenta
Esta é a única linha que você decide. Ela é a fatia do preço que sobra depois de todo o resto, e por isso 12% de margem sobre um custo de R$ 100,00 dão R$ 20,69 de lucro, e não 12% de R$ 100,00: o preço que carrega a margem é maior que o custo. É essa diferença que faz a mesma margem parecer curta na planilha e generosa no caixa, ou o contrário.
Quatro erros que a conta de markup esconde
Todos produzem um número plausível, e é isso que os torna caros: ninguém desconfia de um preço que saiu de uma fórmula.
Somar os percentuais ao custo em vez de dividir o custo
Custo de R$ 100,00 e 42% de taxas não dão R$ 142,00. Os 42% são fatia do preço de venda, e o preço ainda não existe quando a soma é feita — a conta se morde. Cobrando R$ 142,00, as taxas levam a maior parte e sobra menos do que a peça custou. O preço que fecha é R$ 172,41, bem acima do que a soma sugeriu.
Confundir o multiplicador com a margem de lucro
Um markup de 1,7241 não quer dizer que essa diferença toda vire lucro. Ele é quantas vezes o custo cabe no preço, e dentro dele estão o imposto, a comissão, o cartão e o rateio da estrutura. O lucro é o que resta depois desses quatro — neste exemplo, 12% do preço. Ler o multiplicador como margem é o que faz uma loja comemorar um índice alto enquanto fecha o mês no vermelho.
Usar um índice único para o catálogo inteiro
O índice é da operação, e as linhas do catálogo não têm a mesma operação: o que sai no cartão parcelado carrega mais taxa que o que sai no pix, o que ocupa gôndola por trinta dias carrega mais rateio que o que gira em três, e as alíquotas mudam por NCM. Um índice só é um bom ponto de partida e um péssimo ponto de chegada.
Manter o índice que foi calculado no ano passado
O rateio de despesa fixa é uma divisão pelo faturamento, e o faturamento muda todo mês. Uma queda nas vendas aumenta o peso da estrutura em cada venda, e o índice antigo passa a produzir preços que não pagam mais essa estrutura. É o tipo de defasagem que não aparece em produto nenhum isolado e aparece inteira no resultado do trimestre.
Quando um índice só deixa de dar conta do catálogo
Esta calculadora resolve o índice de uma operação. Ela continua resolvendo enquanto o catálogo é curto o bastante para caber num índice só e o custo muda devagar o bastante para a conta ser refeita à mão de vez em quando.
O que ela não faz é acompanhar quinze mil itens cujo custo muda a cada nota que entra, cuja alíquota muda por NCM e por UF de destino, e cuja forma de recebimento muda o percentual de despesa variável dentro da mesma semana. É esse o trabalho do RevPrice, o software de precificação que a Revema Tech desenvolve: a mesma conta, aplicada item a item, com o custo vindo do ERP e a regra escrita num lugar só.
Se você ainda está decidindo se precisa de um, a comparação entre planilha e software mostra em que ponto a conta vira — sem pressa e sem pressupor que virou.