Guia de precificação

Como precificar produtos no varejo, do custo à etiqueta

Precificar é decidir, para cada item, um número que cubra o que ele custou, entregue a margem que a operação precisa e ainda seja aceito por quem compara preço na gôndola e na tela. Esta página percorre essa decisão inteira, na ordem em que ela acontece.

Não é teoria de manual nem apresentação de produto: é a conta que qualquer loja faz, com os números na tela, e o que costuma dar errado em cada etapa dela. Cada capítulo abaixo abre nos artigos que tratam daquela etapa por inteiro.

É também a resposta para quem procura por formação de preço de venda: os dois nomes descrevem o mesmo trabalho, um no vocabulário da contabilidade e o outro no de quem vende.

Formação de preço de venda: a expressão e o que ela cobre

O nome muda conforme quem fala, e o trabalho é o mesmo: transformar um custo apurado num número que a operação pode praticar.

Formação de preço de venda é o caminho que vai do custo apurado ao preço praticado. São quatro decisões encadeadas: quanto o item custou de verdade, quanto precisa sobrar depois de tudo o que incide sobre a venda, quanto o cliente aceita pagar e de quanto em quanto tempo esse número é refeito. Nenhuma delas se resolve com um percentual único aplicado ao catálogo inteiro.

A palavra que aparece em toda conversa sobre o assunto é markup, e ela é a fonte da maior parte dos erros — não por ser difícil, mas por ser calculada sobre o custo enquanto a margem que a empresa persegue é medida sobre a venda. São duas bases diferentes para a mesma diferença em reais, e trocá-las é o que faz uma operação pedir 30% e receber menos da metade.

Do outro lado da conta estão dois números que dizem se o preço se sustenta: a margem de contribuição de cada item, que é quanto ele deixa para pagar a estrutura, e o ponto de equilíbrio da operação, que é o volume abaixo do qual nenhuma margem é suficiente. Preço decidido sem os dois é preço decidido no escuro, por mais caprichada que seja a planilha.

A conta, com os números na tela

Um item comprado a R$ 28,00, numa operação em que cartão, comissão e tributo sobre o faturamento somam 15% da venda, com margem pretendida de 20%.

A conta, com os números na tela
Custo de compra do itemR$ 28,00
Frete rateado na cargaEntra no custo do item mesmo quando vem em nota à parte.R$ 1,40
Custo diretoR$ 29,40
Despesas sobre a vendaCartão, comissão e tributo sobre o faturamento.15%
Margem pretendida20%
Divisor do preço1 − (15% + 20%). É este número que evita inverter a base.0,65
Preço de vendaR$ 29,40 ÷ 0,65.R$ 45,23
Margem que sobra20,0% da venda, que era o que a conta prometia.R$ 9,05

O mesmo item precificado pela conta que se ouve mais — "aplicar 20% sobre o custo" — sairia a R$ 35,28 e deixaria R$ 0,59, ou 1,7% da venda. A diferença não é de opinião sobre preço: é o percentual ter sido aplicado sobre o custo em vez de sobre a venda, num item só. Num catálogo inteiro, é a distância entre o resultado que a planilha projeta e o que o fechamento do mês encontra.

Os três caminhos até um preço

Custo, valor e mercado respondem à mesma pergunta por ângulos diferentes. Nenhum dos três responde sozinho, e usar só um é o que produz as duas falhas mais comuns: vender barato sem saber e vender caro sem conseguir.

Pelo custo: o preço que não dá prejuízo
Parte do que o item consumiu e acrescenta a margem pretendida. É a conta que garante o piso, e é a única das três que a operação consegue fazer com os próprios dados. O que ela não responde: se o cliente paga esse preço — e, quando o custo é alto por ineficiência interna, ela repassa essa ineficiência à etiqueta.
Pelo valor: o preço que o cliente aceita
Parte do que a compra resolve para quem compra: o que ele compararia, o que deixaria de fazer sem o produto, quanto já pagou por algo parecido. É o que define o teto, e é onde está a margem que a conta de custo deixa na mesa. O que ela não responde: se esse preço cobre o que o item custou.
Pelo mercado: o preço que já está na prateleira
Parte do que os outros praticam no mesmo canal. É a referência mais fácil de obter e a mais fácil de aplicar errado: o custo de quem está do outro lado é diferente do seu, e copiar o preço dele é herdar uma estrutura de custo que você não tem.
Na prática, os três na mesma decisão
O custo dá o piso, o valor dá o teto e o mercado diz onde, entre um e outro, o item fica. Uma operação que só usa o primeiro vende barato sem saber; uma que só usa o terceiro vende no prejuízo com a consciência tranquila. A decisão é escolher a posição dentro da faixa — e ter a faixa calculada é o que separa preço de palpite.

O assunto em cinco capítulos

A decisão de preço na ordem em que ela acontece. Cada capítulo abre nos artigos que tratam daquela etapa por inteiro, com a operação, os números e o que mudou depois.

Capítulo 1

O custo: o que o item consumiu antes de ter preço

Toda discussão de preço que começa pela margem desejada já começou errada. O primeiro número é quanto o item custou de verdade — e ele quase nunca é o que está na nota.

O custo de um produto é o valor da compra mais tudo o que foi preciso gastar para ele chegar à prateleira em condição de ser vendido: frete, seguro, recebimento, armazenagem, perda no manuseio e o imposto pago na entrada que não gera crédito. Numa operação que recebe carga toda semana, esse número muda de uma entrada para a outra enquanto a etiqueta continua impressa com o custo da compra anterior.

Há ainda o custo que não chega em nota nenhuma: o capital parado no estoque, o espaço que o item ocupa, a devolução que ele gera. Ignorá-lo não faz o gasto desaparecer — faz ele sair da margem de outro produto, quase sempre a do item que gira rápido e de que ninguém desconfia.

Capítulo 2

A conta: do custo ao preço, sem inverter a base

O erro mais caro da formação de preço de venda não é de estratégia: é aplicar sobre o custo o percentual que foi pensado sobre a venda.

Margem e markup medem a mesma diferença sobre bases diferentes. A margem é quanto sobra sobre o preço de venda; o markup é quanto se acrescenta ao custo. Quem quer 20% de margem e multiplica o custo por 1,20 termina com bem menos do que pretendia, porque as despesas variáveis — cartão, comissão, tributo sobre o faturamento — também incidem sobre a venda, e não sobre o custo.

A conta que não inverte a base é uma divisão, e não uma multiplicação: somam-se todos os percentuais que incidem sobre a venda, subtrai-se o total de 100%, e o custo direto é dividido por esse resultado. É o markup divisor, e é ele que devolve um preço em que a margem pretendida de fato aparece no fechamento do mês.

Capítulo 3

O valor: o preço que o cliente aceita pagar

A conta diz qual é o preço mínimo. Ela não diz qual é o máximo, e é entre os dois que a decisão acontece.

Preço formado só pelo custo tem um defeito silencioso: ele repassa ao cliente a ineficiência de quem vende e deixa dinheiro na mesa em todo item que valeria mais do que custou. O que define o teto não é a planilha — é o que o cliente compara, o que ele deixa de resolver se não comprar e quanto ele já pagou por algo parecido.

É também no valor que a forma de escrever o preço passa a pesar. O mesmo número em faixas diferentes muda a leitura de quem vê a etiqueta, e isso vale nos dois sentidos: o centavo que sugere oferta e o número redondo que sustenta a percepção de qualidade. Nenhum dos dois cria margem sozinho, mas os dois decidem onde, dentro da faixa que a conta permitiu, o preço acaba ficando.

Capítulo 4

A demanda e o mercado: o que acontece depois que o preço muda

Um preço novo é uma hipótese sobre como a demanda vai reagir. O que separa a decisão do palpite é medir essa reação em vez de supô-la.

A mesma alta de 10% derruba o volume de um item e passa despercebida em outro. Quem sabe quanto cada item reage tem duas informações que ninguém mais tem: até onde dá para subir sem perder venda, e em quais itens o desconto compra volume suficiente para pagar a margem que ele custou.

O preço do concorrente entra aqui, e entra com ressalva. Ele é referência de mercado, não instrução: a estrutura de custo de quem está do outro lado é diferente da sua, e o número anunciado pode ser de outra embalagem, de outra praça ou de outro vendedor. Comparar preço exige antes garantir que os dois preços comparam a mesma coisa.

Capítulo 5

A rotina: quem revisa o preço, quando e com que dado

Preço não é um projeto que termina. É uma decisão que envelhece a cada nota de entrada, e o que decide o resultado do ano é a frequência com que ela é refeita.

Nenhuma operação revisa o catálogo inteiro toda semana, e não precisa: uma minoria dos itens responde pela maior parte do resultado, e é por ela que a revisão começa. O restante entra por regra — uma política de margem por categoria que recalcula sozinha quando o custo muda, com exceção apenas para o que fura o piso.

O que trava essa rotina raramente é a fórmula. É o dado: custo desatualizado, cadastro incompleto, tributação lançada por média e planilhas paralelas que discordam entre si. Qualquer projeto de precificação baseada em dados esbarra nisso antes de esbarrar em estratégia.

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Perguntas sobre como precificar produtos

As dúvidas que aparecem antes de qualquer planilha — inclusive as duas cuja resposta honesta é 'depende', com o de que depende escrito.

Como calcular o preço de venda de um produto no varejo?

Some o custo direto do item: a compra, o frete, o recebimento e o imposto pago na entrada que não gera crédito. Some à parte os percentuais que incidem sobre a venda — tributo sobre o faturamento, taxa de cartão, comissão — e a margem que você quer. Subtraia esse segundo total de 100% e divida o custo direto pelo resultado. O preço que sai é aquele em que a margem pretendida sobra de fato.

O que é formação de preço de venda?

É o processo inteiro que vai do custo apurado ao preço praticado: levantar o custo real do item, definir a margem que a categoria precisa entregar, fazer a conta sobre a base certa, conferir o resultado contra o que o mercado pratica e revisar quando o custo muda. "Formação de preço de venda" é como a contabilidade e a indústria chamam; "como precificar produtos" é como o varejo pesquisa. É a mesma coisa.

Qual a diferença entre markup e margem de lucro?

A base sobre a qual cada um é calculado. A margem é a sobra medida sobre o preço de venda; o markup é o acréscimo medido sobre o custo. Um markup de 100% corresponde a uma margem de 50%, e é por confundir os dois que uma operação pede 30% e recebe menos da metade disso. Na prática, o que se usa para chegar ao preço é o markup divisor, que já nasce expresso em cima da venda.

Qual margem é considerada boa no varejo?

Não existe um número que valha para todo mundo, e desconfie de quem publica um: a margem que sustenta uma operação depende do giro do item, da categoria, do regime tributário e da estrutura de despesa fixa que ela precisa cobrir. As duas comparações que valem são com o próprio histórico e com o ponto de equilíbrio da operação — abaixo dele, nenhum percentual é bom.

Dá para precificar sem saber o custo exato do produto?

Dá, e é o que a maior parte das operações faz: o preço é herdado do mês anterior com um reajuste por cima. O que não dá é saber se aquele item está ganhando ou perdendo dinheiro. Enquanto o custo for uma estimativa, toda a discussão de margem, desconto e promoção é feita sobre um número que ninguém pode conferir.

Com que frequência o preço precisa ser revisto?

Sempre que o custo muda — o que, numa operação que recebe carga toda semana, é mais frequente do que qualquer calendário de revisão. O caminho que funciona não é revisar tudo: é deixar uma regra de margem por categoria recalcular o catálogo sozinha quando o custo entra, e reservar a decisão humana para os itens que furam o piso e para os poucos que concentram o resultado.

Onde o RevPrice entra

O método é este; o que não cabe à mão é repeti-lo em cada item

Nenhuma etapa deste guia é difícil num produto só. O que nenhuma equipe sustenta é refazer as cinco a cada tabela nova de fornecedor, em um catálogo com milhares de linhas — e é por isso que, na prática, o preço acaba sendo herdado do mês anterior com um reajuste por cima.

O RevPrice é quem faz a repetição: a cada custo novo que chega pelo ERP, ele refaz as cinco etapas no catálogo inteiro e mostra o que mudou de preço e por quê. Sobra para a decisão humana o que a régua não resolve sozinha — o item que não fecha no piso, e o que o mercado obrigou a olhar de novo.

Quer essa conta rodando no seu catálogo inteiro?

Uma conversa curta com quem calcula margem no varejo todo dia, com os seus custos e as suas regras na tela.