Estratégia de Preço

Pesquisa de preço da concorrência: quando os preços não se comparam

12 de setembro de 20265 minutos de leituraPor Edson Clementino

Quando o preço do concorrente não se compara com o seu

Quase toda decisão de preço começa no preço do outro. Você olha o que o concorrente cobra, compara com o seu e decide se mexe. O problema aparece antes da conta: o número anotado do outro lado nunca vem sozinho. Ele vem com um vendedor, uma praça de entrega, uma embalagem e um produto — e basta um desses quatro ser diferente para a comparação não dizer mais nada.

Não é descuido de quem pesquisa. É como os canais apresentam preço, e cada um apresenta de um jeito. O custo do engano também não é simbólico: quem corta margem contra um preço que não era do concorrente perde a margem e não ganha a disputa.

O que torna dois preços comparáveis

Antes da planilha, vale escrever o que se está comparando. Dois preços se comparam quando são:

  • do mesmo produto, e não de um acessório dele;
  • da mesma embalagem, na mesma quantidade;
  • do mesmo vendedor que você quer acompanhar, e não do canal que faz a entrega;
  • do mesmo lugar de entrega, porque preço e prazo mudam com ele;
  • do mesmo momento, porque preço de marketplace muda dentro do mesmo dia.

Cada linha dessa lista é um jeito diferente de o acompanhamento ficar errado sem parecer errado. Vale uma por vez.

Quem envia não é quem vende

Na página de um anúncio de marketplace, "vendido por" e "enviado por" costumam aparecer lado a lado, com o mesmo peso visual. Só o primeiro é o concorrente. O segundo é quem faz a logística, e frequentemente é o próprio canal.

Anotar o segundo é anotar o marketplace como se fosse a empresa que disputa preço com você — e, pior, é anotar um nome que se repete em anúncios de vendedores diferentes, o que faz a tabela parecer consistente justamente onde ela deixou de ser.

Na mesma página mora um segundo caso: o mesmo anúncio tem mais de um preço, e o que decide qual deles aparece é o endereço de entrega. Coletar de um lugar diferente a cada semana mistura a mudança do concorrente com a mudança do ponto de vista, e é o que faz uma planilha de acompanhamento parecer errada sem estar. Quem registra de onde olhou consegue separar as duas; quem não registra fica com uma série que oscila sem explicação. Os dois casos estão destrinchados na página sobre monitorar preço de concorrentes na Amazon.

O link que você copiou pode não ser o do anúncio

Em canais com anúncio patrocinado, o endereço que o card carrega não é o endereço da página do produto: ele existe para contar o clique. Copiado e colado, ele abre no navegador e parece certo — e é por isso que o erro atravessa meses sem ser notado.

Semanas depois, quando alguém segue aquele link para conferir o preço, o destino pode ser outro anúncio, a vitrine da loja ou nada. A planilha feita à mão é especialmente exposta a isso, porque o link é justamente a parte que ninguém revisa — e ali a saída é abrir o anúncio e copiar o endereço da barra do navegador em vez do endereço do card.

Num acompanhamento automatizado a pergunta é outra: o endereço de clique carrega, dentro dele, qual anúncio ele conta, e dá para ler isso e guardar o endereço da página do produto no lugar. É por isso que colar o link do card costuma funcionar por lá. A forma dos dois endereços, e o caso em que nem isso dá para fazer, estão na página sobre monitorar preço de concorrentes no Mercado Livre.

O mais barato da lista costuma ser o menor pacote

Ordenar os resultados por preço é o primeiro reflexo de quem pesquisa, e ele põe no topo o anúncio de menor valor — que quase sempre é o de menor quantidade. Um pacote de 180 g a R$ 14,90 não é mais barato que um de 1 kg a R$ 59,90: ele é um quinto do outro, e sai mais caro por grama.

Em mercearia e atacado isso não é exceção, é o formato do catálogo: o mesmo item aparece avulso, em fardo e em caixa, tudo na mesma lista de resultados. O que separa um do outro é o título exato de cada anúncio, porque é nele que a embalagem está escrita — e é por isso que uma tabela de acompanhamento sem o título do anúncio não permite conferir nada. Há mais sobre isso na página de monitoramento de preços em mercearia e atacado.

O anúncio mais parecido pode ser um acessório

Um acessório compartilha o vocabulário da peça que ele acompanha. Procurando por "pastilha de freio", a lista devolve pastilha, sensor de desgaste e capa de pinça — e o acessório às vezes é o que mais se parece com o termo digitado, palavra por palavra.

Para quem precifica, a consequência é direta: o preço de um acessório é uma ordem de grandeza menor que o da peça, e uma única linha dessas na média puxa o seu preço para um patamar que nenhum concorrente pratica. Filtrar isso à mão é possível com dez produtos e inviável com mil. É por isso que, num acompanhamento automatizado, cada anúncio encontrado recebe uma nota de semelhança com o produto cadastrado — e a capa de pinça fica no fim da lista mesmo sendo a mais parecida textualmente. O exemplo com as notas está na página de monitoramento de preços em autopeças.

O que dá para fazer com isso hoje

Com poucos produtos, a lista das cinco conferências acima resolve: anote o vendedor separado de quem envia, registre de onde você olhou, guarde o título do anúncio junto com o preço e copie o endereço da barra do navegador. Leva tempo, mas funciona.

O que não escala é a repetição. As mesmas cinco conferências, em dezenas ou centenas de itens, toda semana, é trabalho que nenhuma equipe comercial sustenta por muitos meses — e é exatamente aí que o acompanhamento silenciosamente vira uma planilha desatualizada que ninguém confia o bastante para usar numa decisão.

Foi para essa repetição que construímos o RevScan, o nosso serviço de monitoramento de preços de concorrentes em marketplaces: ele percorre os canais que você escolher, separa o seu produto do acessório, lê quem vende e por quanto em cada anúncio e entrega tudo com título, data e link para conferência. Se quiser ver como isso ficaria no seu catálogo, fale com a gente.

Este artigo é um capítulo de um guia

Como precificar produtos no varejo

O guia percorre a decisão de preço inteira, do custo à etiqueta. Este texto aprofunda o capítulo A demanda e o mercado: o que acontece depois que o preço muda.

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