O que é CMV (custo da mercadoria vendida)
CMV é o custo da mercadoria vendida: quanto custou, a preço de aquisição, exatamente aquilo que saiu do estoque e virou venda num período — e não o que foi comprado dentro dele.
A diferença entre comprar e vender é o que a sigla mede. Uma loja que comprou R$ 240 mil e vendeu pouco menos do que comprou não teve R$ 240 mil de custo no mês: o que não saiu continua no estoque, como capital parado, e só vira custo no dia em que for vendido.
É a maior linha do resultado de quem revende, e é dela que sai a leitura mais rápida do período: receita menos CMV é a margem bruta, o dinheiro que existe antes de pagar qualquer despesa de venda ou de estrutura.
Como o CMV é calculado
A fórmula tem três entradas e nenhuma delas é o total das compras. São os dois estoques que transformam compra em custo.
CMV = estoque inicial + compras do período − estoque final
margem bruta = receita de vendas − CMV
índice de CMV = CMV ÷ receita de vendas
A calculadora de preço de venda começa pelo custo do produto na nota e pelo frete de entrada — é dali que sai o preço que cobre o custo de repor o item, e não só o de tê-lo comprado.
O CMV de um mês de R$ 360.000 em vendas
A conta tem dois passos, e o segundo começa onde o primeiro parou: os três estoques fecham no CMV, e é o CMV descontado da receita que devolve a margem bruta. Os estoques entram a preço de custo, contados no primeiro e no último dia do período.
| Estoque inicial | R$ 180.000 |
|---|---|
| Compras do períodoentradas de mercadoria, já com o frete | + R$ 240.000 |
| Estoque final | − R$ 195.000 |
| CMV do período62,5% da receita | R$ 225.000 |
| Receita de vendas | R$ 360.000 |
| Margem bruta37,5% da receita | R$ 135.000 |
Quem lê as compras do mês no lugar do CMV encontra R$ 240.000 de custo e uma margem bruta de R$ 120.000 — R$ 15.000 abaixo da real. A diferença é o estoque que cresceu no período, que é caixa comprometido e não custo. Num mês de reposição pesada, esse erro inverte o sinal do resultado e faz uma operação lucrativa parecer estar perdendo dinheiro.
O que o CMV mostra e o que ele não alcança
É uma medida de período e de passado. As duas coisas importam na hora de usá-la para formar preço.
O CMV é apurado por período e depende dos dois estoques, então ele só é confiável quando a contagem é. Quebra, avaria, vencimento e furto saem do estoque sem virar venda e, na fórmula, entram silenciosamente no custo do que foi vendido — o índice sobe, a margem bruta cai e nada no relatório diz que a causa foi perda e não preço. Operações que medem perda em separado leem o mesmo mês com muito mais clareza.
Ele também é histórico: reflete o que a mercadoria custou quando entrou. Precificar por esse valor num período de custo em alta é vender pelo preço de ontem o que vai ser reposto pelo preço de amanhã. A margem aparece no relatório e some no momento da recompra, porque o dinheiro da venda não cobre a reposição do mesmo item. Quem forma preço trabalha com custo de reposição; quem apura resultado trabalha com CMV. São dois números com o mesmo nome no vocabulário do dia a dia.
A margem bruta que sai daqui não é margem de contribuição. Entre uma e outra ficam os impostos sobre a venda, a comissão, a taxa de recebimento e o frete de entrega — tudo o que nasce com a venda e não está no custo de aquisição. Uma loja com 37,5% de margem bruta pode ter 20% de margem de contribuição e 3% de lucro, e as três leituras estão certas: elas medem coisas diferentes do mesmo real.
Por fim, o que entra no custo depende do regime. No lucro real e no presumido, os impostos recuperáveis da compra geram crédito e não compõem o custo da mercadoria; no Simples Nacional, não há esse crédito e o valor da nota entra inteiro. Usar a regra de um regime na operação do outro desloca o CMV em vários pontos percentuais, e desloca junto todo preço calculado a partir dele.
Onde o CMV engana quem forma preço
Os quatro abaixo têm o mesmo efeito prático: um custo que parece exato e está deslocado, produzindo preços que nunca fecham a conta.
Chamar as compras do mês de CMV
É o engano mais comum e o mais caro de todos, porque acontece justamente nos meses de reposição forte — quando o volume comprado descola do vendido. O resultado é um custo inflado, uma margem bruta espremida e uma reação de preço que não tinha motivo nenhum para existir. A fórmula com os dois estoques serve exatamente para separar as duas coisas.
Formar preço pelo custo histórico
O item que entrou há noventa dias custa o que custava, e o que vai repor o lugar dele na gôndola custa o de hoje. Em qualquer ciclo de alta, precificar pelo primeiro é financiar o cliente com capital de giro: a venda parece lucrativa e a recompra vem mais cara do que o caixa que ela gerou. É a forma mais silenciosa de uma operação encolher vendendo bem.
Deixar perda e quebra dentro da conta sem nome
Tudo o que sai do estoque sem virar venda é absorvido pela fórmula como custo do que foi vendido. Sem uma linha separada para perda, o índice de CMV sobe e a discussão vira sobre preço de compra ou de venda, quando o problema está na validade, na avaria ou no inventário. Medir perda em separado é o que devolve o CMV ao que ele deveria medir.
Ignorar o crédito de imposto da compra
No lucro real e no presumido, parte do ICMS, do PIS e da Cofins pagos na compra volta como crédito e não é custo. Somar o valor cheio da nota ao CMV infla o custo de quem tem esse direito, e descontar um crédito que o Simples Nacional não dá esvazia o custo de quem não tem. Nos dois casos, o markup calculado em cima erra para o mesmo lado o catálogo inteiro.
Os termos que decidem preço junto com este
Nenhum termo de precificação se explica sozinho. Estes são os que aparecem na mesma decisão, cada um com a definição e a conta dele.
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O que o blog já publicou sobre CMV e sobre o que esta definição resolve.
Entender a conta é uma coisa; refazê-la em milhares de itens é outra
Num produto, qualquer uma destas contas cabe numa planilha. Num catálogo inteiro, com custo mudando a cada entrada de nota, ela deixa de ser feita — e o preço passa a ser herdado do mês anterior.