Glossário de precificação

O que é mix de produtos

Mix de produtos é o conjunto de itens que a operação vende e, principalmente, a participação de cada um no que foi vendido: é a composição das vendas que decide o resultado do mês, e não o tamanho do catálogo.

A palavra aparece com dois sentidos. O mix de catálogo é o que a loja oferece — linhas, marcas, variedade, profundidade de cada categoria. O mix vendido é o que saiu no período, com a participação de cada item na receita. O primeiro é uma decisão de sortimento; o segundo é o que chega ao resultado.

Duas lojas com o mesmo faturamento e a mesma estrutura fecham o mês de formas opostas quando o mix vendido é diferente. Cada item entrega um índice de margem de contribuição próprio, e o que paga as despesas fixas é a média desses índices ponderada pela participação de cada um.

Como o mix muda o resultado sem mexer em preço

A conta é uma média ponderada. O que ela mostra é que deslocar participação entre linhas vale tanto quanto reajustar preço — e não custa nada ao cliente.

participação do item = receita do item ÷ receita total

índice de contribuição médio = soma de (participação × índice de contribuição de cada item)

contribuição do item no mês = margem de contribuição unitária × unidades vendidas

Calculadora gratuita

O índice de cada linha começa no preço de um item: a calculadora de preço de venda abre a composição real de um produto e mostra quanto dele sobra depois de custo, imposto e comissão.

Abrir a composição de um item

Três linhas num mês de R$ 360.000

Cada linha traz a participação da categoria na receita e o índice de contribuição dela. O valor à direita é o que ela sozinha entrega para a média da loja: a participação multiplicada pelo índice.

Três linhas num mês de R$ 360.000
Bebidas — 45% da receita, índice de 18%giro alto, margem curta, preço conhecido pelo cliente8,1 pontos
Mercearia — 35% da receita, índice de 30%10,5 pontos
Higiene e beleza — 20% da receita, índice de 48%giro menor, margem larga, preço pouco comparado9,6 pontos
Índice de contribuição da lojaa média ponderada das três linhas28,2%

Agora desloque cinco pontos de participação de bebidas para higiene e beleza — o que uma mudança de exposição e de ordem na busca do site consegue fazer. O índice médio vai a 29,7% sem que um preço tenha sido alterado. Sobre o mesmo faturamento de R$ 360.000, é R$ 5.400 a mais de contribuição no mês, e o ponto de equilíbrio da operação recua junto.

O mix é decidido mesmo quando ninguém decide

Ele parece ser uma consequência do que o cliente quer. Metade dele é consequência do que a loja expõe, ordena e promove.

Ponta de gôndola, altura da prateleira, ordem dos resultados na busca do site, o que entra no banner da home e o que aparece como sugestão no carrinho: cada uma dessas escolhas move participação de uma linha para outra. Quando elas são feitas por hábito ou por pressão de fornecedor, o mix continua sendo decidido — só que por quem não responde pelo resultado do mês.

A distinção útil é entre item de tráfego e item de margem. O primeiro é aquele cujo preço o cliente conhece de cor e usa para julgar a loja inteira; ele existe para trazer gente e quase sempre tem índice baixo. O segundo é o que sustenta a média. Um mix saudável não é o que tem só itens de margem alta — é o que usa os de tráfego para encher a loja e garante que a cesta em que eles entram carregue os outros.

É por isso que a decisão de tirar um item do catálogo raramente se resolve olhando o item. Produtos de baixa saída que puxam uma cesta inteira — a marca específica que faz a compra do mês acontecer ali — valem o espaço que ocupam mesmo com contribuição individual modesta. O que decide é a cesta em que eles aparecem, e isso só é visível no cupom, não na ficha do produto.

A curva ABC clássica ordena os itens por faturamento e resolve compra e estoque. Para preço, a ordenação útil é por contribuição total: o item que mais fatura é frequentemente o de índice mais curto, e o que sustenta o mês costuma estar na metade de baixo da lista de receita. Trocar uma ordenação pela outra muda quem recebe ponta de gôndola — e é a mudança mais barata que existe no resultado de uma loja.

Onde a leitura do mix costuma errar

Os quatro abaixo levam à mesma decisão errada: dar espaço a quem fatura e tirar espaço de quem paga a conta.

  1. Ordenar o mix por faturamento

    O item de maior receita é, quase sempre, o de preço mais comparado e índice mais curto. Ordenar por faturamento coloca no topo da lista exatamente quem menos contribui por real vendido, e é essa lista que costuma guiar exposição e promoção. A ordenação que serve para decidir preço é a da contribuição total de cada item no período.

  2. Confundir o mix do catálogo com o mix vendido

    Uma loja pode ter metade do catálogo em categorias de margem larga e vender oitenta por cento em duas linhas de margem curta. O sortimento descreve a intenção; a participação descreve o que aconteceu. Planejar preço pelo primeiro e apurar resultado pelo segundo é o descompasso que faz a margem projetada nunca bater com a realizada.

  3. Promover sempre a mesma linha

    Promoção desloca participação, e uma linha promovida todo mês passa a responder por uma fatia maior da receita com o índice espremido pelo desconto. O faturamento cresce, a contribuição média cai e o ponto de equilíbrio sobe. O efeito é lento e aparece como "as vendas cresceram e o resultado não" — que é a frase exata de um mix que foi mudando sozinho.

  4. Cortar a cauda longa olhando só o item

    Itens de giro baixo são os primeiros a aparecer numa limpeza de catálogo, e alguns deles são a razão de a cesta inteira acontecer naquela loja. Antes de cortar, vale olhar em que cupons o item aparece e o que mais vai junto: o custo de perder a cesta é muitas vezes maior do que o espaço liberado na prateleira.

Os termos que decidem preço junto com este

Nenhum termo de precificação se explica sozinho. Estes são os que aparecem na mesma decisão, cada um com a definição e a conta dele.

Leia também

O que o blog já publicou sobre mix de produtos e sobre o que esta definição resolve.

Entender a conta é uma coisa; refazê-la em milhares de itens é outra

Num produto, qualquer uma destas contas cabe numa planilha. Num catálogo inteiro, com custo mudando a cada entrada de nota, ela deixa de ser feita — e o preço passa a ser herdado do mês anterior.